quarta-feira, 20 de maio de 2009

2. Cor e Poesia: expressão lírica da cor na obra de Cesário Verde

Atente no poema “De Tarde” (1887) de Cesário Verde (1855-1886) em suporte hipermédia (Luís Pereira e Rui Pereira, 2008).
O poema é um bom exemplo de pintura literária e rítmica, uma marca da obra deste poeta português.
Como os pintores impressionistas, Cesário revela-nos a forma como observa o mundo e o que esse mundo oferece aos nossos sentidos através da forma das coisas, do som e da COR.
Onde está a cor na obra de Cesário Verde? Qual o seu valor e dimensão?
Voltamos ao poema.
O espaço é um ambiente campestre cheio de colorido e que Cesário descreve com uma linguagem também colorida.
Como uma “aguarela” impressionista, as palavras descrevem o “piquenique de burguesas” (clara referência à obra impressionista de Manet, "Le Dejeuner sur L'Herbe", 1863) apelando às sensações visuais:
  • “granzoal azul
  • “ramalhete rubro de papoulas”
  • “tudo púrpuro a sair da renda”
Há neste poema uma intensa relação das cores com os nossos sentimentos porque elas têm uma dimensão psicológica que envolve as nossas experiências pessoais.

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